Edi Rock, dos Racionais MC’s, se apresenta no programa Caldeirão do Huck

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Edi Rock no Caldeirão do Huck

O rapper Edi Rock, dos Racionais MC’s, se apresentou no programa Caldeirão do Huck e apresentou seu novo disco solo.

Divulgada com antecedência pelo próprio rapper em sua página do Facebook, a apresentação de Edi Rock no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo de Televisão, no último sábado (19), tem provocado calorosas discussões nas redes sociais.

 

Sou Racionais, mas não ‘o’ Racionais

Integrante do grupo Racionais MC’s, Edi Rock faz parte de uma vertente do rap que até então se mantinha distante da televisão. A máxima de não se apresentar em grandes mídias era (é) uma bandeira levantada pelo quarteto desde seu surgimento e, querendo ou não, parte (talvez a maioria) de seus fãs tinha essa ideologia como a principal do grupo, até por conta de todas as questões históricas que norteiam o rap frente às elites do país.

Antes mesmo de o programa ir ao ar, o Facebook do rapper registrava centenas de comentários, sendo uma quantidade significativa de críticas. Tal, fato levou Edi Rock a divulgar a seguinte resposta aos comentários:

“Sou Racionais mas não ‘o’ Racionais, sou Rap mas não ‘o’ Rap Nacional, acredito que vivemos num país livre e por isso temos liberdade de escolhas, eu escolhi ir onde eu achar que devo ir levar a minha mensagem e a minha música, entrar onde eu for convidado e principalmente… ‘respeitado’”, escreveu.

Alguns internautas postaram parte de letras dos Racionais em oposição à apresentação, tais como “… eu não preciso de status nem fama …”, “… Um repórter da Globo me insultou, me chamava de assassino, aquilo inflamou …”

 

Um repórter da Globo me insultou, me chamava de assassino, aquilo inflamou

Acontece, porém, que o rap nacional tem se transformado bastante nos últimos anos. Além de uma inegável tentativa de mudança com relação ao conteúdo das letras — que há muito deixaram de falar só de criminalidade —, a postura dos artistas também tem mudado e aos poucos o rap penetra nas mídias e passa a atuar realmente como música no Brasil. cabe colocar que vários outros artistas já tiveram seus rostos estampados na tela da emissora. Recentemente até Afrika Bambaataa se apresentou no programa “Esquenta”, também da Rede Globo, o que prova o estado de mudança do rap e que é preciso que a comunidade da periferia reveja seus conceitos.

Certamente a apresentação de Edi Rock no Caldeirão do Huck foi algo marcante para o rap e para a própria televisão brasileira. Esse marco, no meu ponto de vista, foi positivo, já que pode abrir diversas portas não só para que o rap, mas também outras vertentes do Hip Hop, possa alcançar um patamar ainda maior.

A apresentação

No programa de sábado, Luciano Huck foi buscar o rapper Edi Rock no hotel onde se hospedava. No percurso até o estúdio, feito dentro de um carro ao estilo lowrider, o apresentador bateu um papo com o Cocão (como também é chamado), que expôs seu ponto de vista acerca de alguns assuntos.

Luciano Huck: A importância que os Racionais têm na periferia de São Paulo, em vários momentos da história da periferia de São Paulo, foi quase como um alto-falante importante de uma época que a periferia tinha pouca voz. Eu acho que o Racionais eram um alto-falante de sentimento, de um monte de coisa que passava lá. E muitas vezes também, uma válvula de descompressão; quando tava muito tenso nas periferias de São Paulo, o Racionais teve um papel muito importante de equacionar a relação da periferia, a relação das cadeias. Quer dizer, vocês geram uma influência muito grande no equilíbrio da cidade de São Paulo.

Edi Rock: Você acha?

Luciano Huck: Eu acho, de verdade mesmo, acho de coração!

Edi Rock: Legal, a gente não tem essa dimensão; a gente pensa como música mesmo, música e mensagem.

Luciano Huck: Acho que a mensagem de vocês e o que vocês fizeram teve papel muito importante pra deixar a cidade equilibrada em muitos momentos difíceis e críticos. Por que que os Racionais sempre tiveram uma aversão muito grande à grande mídia? [...]

Edi Rock: Porque a mídia sempre distorce, sempre distorceu o que a gente falou. Sempre fala o que vende, principalmente a mídia gravada e a mídia escrita, editada. Então, a gente sempre teve essa aversão: “pô, não vamos falar que vai passar o que a gente não disse”. [...]

Luciano Huck: Por que que você tá aqui?

Edi Rock: É o momento; eu achei que tinha que vir. Achei que tinha que tá aqui. Aqui a mensagem, ela vai pra vários lugares onde ela tem que chegar. O meu trabalho vai chegar em vários lugares; pessoas que não me conhecem, vão me conhecer, vão buscar conhecer.

Já nos estúdios, Edi Rock cantou o clássico “Negro Drama” e recente “That’s My Way”, lançada em seu disco solo.

Assista ao vídeo

Quem não assistiu ao programa de sábado pode conferir partes do programa no site da Rede Globo.

- Entrevista e apresentação da música “Negro Drama”

- Apresentação da música That’s My Way

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