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A indústria da música morreu

Afastado do teclado por algum tempo, cá estamos nós de volta. Tem nego que fica feliz quando a gente dá uma sumida, pensando que abandonamos a frente de batalha... É ruim, camarada! É que a saúde não andou lá muito bem, e a correria tá grande no dia-a-dia. Estivemos muito ocupados nos últimos 3 meses com a criação da webradio AliadosDoRitmo.com.br, que já tá no ar com programação musical muito bacana. Confira lá quando puder.

Chega de conversa mole e vamos ao que interessa. A ideia deste texto é tecer pequenos comentários sobre as grandes modificações que a indústria fonográfica tem sofrido nesses últimos anos. A motivação pra teclar veio de uma notícia sobre o Public Enemy, que está solicitando aos fãs que façam contribuições em dinheiro pra poder gravar seu novo disco.

Em primeiro lugar, fato é que a indústria da música, como conhecíamos no século XX, morreu. Graças basicamente a três fatores fundamentais: a popularização dos gravadores de mídia, a criação dos codecs de compactação e, o mais importante, a Internet.

Antes da popularização dos mp3 e da Internet, os drives gravadores de cd iniciaram um inflexão incontrolável na indústria musical. As grandes gravadoras se apavoraram, já que só elas ganhavam dinheiro com a venda dos discos. Artista, 99% deles, só ganha dinheiro com show, e olhe lá.

Vocês devem se lembrar das mentiras lavadas que vinham nos cds "originais":

"Cuidado! CD pirata destroi seu aparelho!"

"Ao comprar cd pirata você desvaloriza seus ídolos!"

E incontáveis outras baboseiras do gênero. Desespero e má-fé, antevendo o fim de um império midiático que sempre sugou de artistas pra beneficiar empresários.

Tenta-se assim, até hoje, criminalizar a venda de cds ditos piratas, e mais recentemente, a troca de arquivos pela Internet. "A pirataria fomenta o crime organizado e a corrupção", é o que os representantes da indústria dizem. Pirataria é, a meu ver, a única forma de a grande maioria da população brasileira ter acesso à produção artística de que gostam. Ponto final.

A venda de cópias genéricas de produtos musicais é uma atividade útil, sim, muito útil, exercida por pessoas que dela tiram seu minguado sustento. Venderiam o cd original se ele fosse um produto viável. Não é. A chamada pirataria é uma forma de disseminação da arte num país de terceiro mundo como o nosso. Quem tem grana e realmente gosta do artista compra o cd original.

Em meados dos anos 90 veio a Internet, e os horizontes para disseminação de cultura se alargaram exponencialmente. Letras, músicas, fotos e vídeos passaram a circular pela web com alguma facilidade. Mas havia um grande obstáculo para o compartilhamento de músicas e vídeos: o tamanho e a qualidade dos arquivos. Se você for extrair uma faixa de um cd para o formato .wav, terá um arquivo de pelo menos 50 mb. Se for filme então, o arquivo será muito maior ainda. É muita coisa, mesmo com as velocidades de conexão que temos hoje. Imagine naquela época, quando os modems alcançavam a maravilhosa velociade de 24 kbps... Baixar 5 mega demorava meia hora. Hoje leva um minuto.

Foi por volta de 1996 que veio o golpe definitivo, a estocada na jugular, com a popularização dos formatos de compactação de áudio e vídeo, principalmente com os codecs MP3, MP4, e DivX. Uma faixa de 5 minutos, em vez de ter 50 mb de tamanho, passou a ter 5 mb e com qualidade quase idêntica. Hoje, com o formato MP4, você vê filmes no celular. Com DivX, você vê filmes em altíssima qualidade com 25% do tamanho original.

Lembro-me bem do dia, no já distante 1996, em que GOG me pediu para transformar em mp3 "Momento Seguinte", que acabara de sair do estúdio, e distribuir livremente na Internet. No Brasil foi o primeiro grande artista de hip-hop a fazer isso. Quase que instantaneamente o som dele tava em milhares de casas ao redor do Brasil e na boca da galera. Isso numa época em que computador e internet era coisa de rico e/ou nerd.

Com a popularização da Internet e dos mp3/4, surgiu outra ferramenta de igual importância e que muitos de vocês talvez não tenham usado: o Napster. Um programinha revolucionário de 1 megabyte que permitiu aos internautas o compartilhamento de suas bibliotecas musicais. Foi tamanha a revolução que a indústria mundial do entretenimento torrou centenas de milhões de dólares para tentar sufocar o compartilhamento digital de mídia. Novamente, tentaram - e conseguiram em alguns casos - incriminar os internautas que compartilhavam arquivos musicais, televisivos e cinematográficos.

Sim, conseguiram acabar com o Napster, mas dezenas de outras plataformas surgiram, mais eficazes ainda. Hoje, por exemplo, com o formato .torrent você pode baixar discografias inteiras na internet. Com o Vimeo e o Daily Motion você pode ver  produção audiovisual do mundo inteiro em alta definição. Querem tapar o sol com peneira.

Uma revolução na forma como as pessoas consomem arte está se consolidando com ferramentas como o MySpace e os blogues musicais. E é irreversível. A bilionária indústria das grandes corporações está perdendo espaço e a cena independente ficando mais forte. Quem ganha com tudo isso somos nós. Esses executivos da EMI e da Warner que vão buscar ganhar dinheiro fácil em outra área. Com música vão ter problemas. Aliás, já estão tendo. O número de venda de cds vem caindo vertiginosamente desde 2000, sem previsão de recuperação.

Agora volto ao mote do texto, que é o Public Enemy "pedindo" dinheiro pra um novo disco. Muita gente tem interpretado o fato como a prova de que os caras tão quebrados. Quebrado estou eu... haha O que nego não vê é que Chuck D está apostando nessa nova forma de comercialização musical, aberta e compartilhada. Você, fã e ouvinte, investe um valor mínimo no disco de seu artista favorito e recebe depois o disco manufaturado na sua casa ou em formato digital, inclusive tendo participação nos lucros na proporção de sua contribuição.

A ideia é sensacional, mas só vai funcionar pra grupos que realmente têm fãs de verdade. Se Cláudia Leite for fazer isso, se as bandinhas “emo” forem fazer isso, ficarão de pires na mão... A indústria da qual ainda fazem parte morreu e eles não sabem. Ou se adaptam ou perecerão também. O cadáver está insepulto e já tá cheirando mal. Public Enemy, Paris, Coldplay, Neil Young e outros grupos bacanas já têm a pá e a cal.

Até breve.

DJ TyDoZ

http://www.twitter.com/tydoz


Saiba mais:

Public Enemy arrecada dinheiro pra novo disco. (Mais em CH2)
Napster
MP3
Protocolo BitTorrent

Por: DJ TyDoZ, em 31/10/2009

 

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 Comentários 
Comentário de fred
Em 06/11/2009 às 15:55 hrs.

É verdade na real com certeza a internet mudou muita coisa nas nossas vidas, mas a real é que tambem existem aqueles que não podem acessar conteúdo de escolha, porque não tem condições de terem computadores, nem internet, e por isso não me esqueço daqueles que comigo cresceram, das aulas de imformatica no colegio publico aonde haviam apenas tres computadores para uma turma de quase 40 estudantes, tivemos que ficar esperando cada dupla, assim eram as aulas de imformática.

Enquanto os colegios particulares tem grandes "lanhouses", muitas vezes a imformatica do colegio publico não pode ser usada.

enquanto o aluno que usa computadores conegue ter seus trabalhos em dia, aquele que não tem, tem que se virar, engraçado o proprio colegio não oferece espaço para trabalho...

Quem adora isso é nossa grande mídia modista 100% comercial ditatorial, que não perdeuseus escravos televisivos para internet.
a midia agora ira pagar, como num efeito colateral, essa cultura mundial, o verdadeiro hip hop com o ideal de moral, se liga no sinal!
 

Comentário de Chackal
Em 04/11/2009 às 11:50 hrs.

Foi-se o tempo que você tinha de gastar os tubos para comprar um disco por causa de uma música!
Foi-se o tempo que você tinha de depender da vontade alheia (rádio, fitinha K-7 gravada em 3ª mão, aquele amigo antenado que trazia novidades "dos estrangeiro") para ampliar seus horizontes musicais!
Foi-se o tempo que você tinha de se contentar com o lixo cultural que a mídia IN lhe empurrava goela abaixo!
Agora, o atraso cultural, a alienação musical, é culpa SUA! Deal with it.
 

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